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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO: AINDA UM TABU EM NOSSAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES! OU: A AVALIAÇÃO NO SÉCULO XXI: UM PROCESSO DIALÉTICO, PROCESSUAL E CONTÍNUO


“A ciência, o direito, a educação, a informação, a religião e a tradição estão entre os mais importantes espelhos das sociedades contemporâneas. O que eles refletem é o que as sociedades são. Por detrás ou para além deles, não há nada”.
(Boaventura de Sousa Santos, sociólogo português)

1. COMO É

O grande problema da Educação, o calcanhar de aquiles, foi e sempre será a avaliação.  E o que mais tem nos incomodado ultimamente é a forma/maneira como os alunos são avaliados. A prova ainda é critério para reprovar, em muitas escolas e universidades por todo o País. Mas esse instrumento avaliativo deve ser encarado por professores e estudantes como apenas mais um, e não como o mais importante, pois prova é circunstancial, é momento. Não é uma prova que vai aferir se o estudante aprendeu ou não! Mesmo porque o estudante precisa ser avaliado ao longo do processo educacional, através de vários instrumentos, pois isso sim será mais elucidativo de que ele aprendeu. 

Depois de tantas leituras e pesquisas que fizemos ao longo dos quatro anos que estudamos História, desses onze anos de magistério e três do Curso de Bacharelado em Direito, percebemos que o processo avaliativo, em muitos casos e situações, acontece ainda sob o foco da punição, da seleção que, ao nosso ver, passa à margem da verdadeira apreensão do conhecimento.

O mais comum, no senso-comum, é tomar a avaliação unicamente como o ato de aplicar provas, atribuir notas e classificar os alunos. O professor reduz a avaliação à cobrança daquilo que o aluno memorizou e usa a nota somente como instrumento de controle. Ainda nos dias de hoje há professores que se vangloriam por deter o poder de aprovar ou reprovar. Quantas vezes se ouvem afirmações inteiramente falsas sobre o que deve ser um trabalho docente de qualidade, como por exemplo: “O professor X é excelente, reprova mais da metade da classe”, “O ensino naquela escola é muito puxado, poucos alunos conseguem aprovação”. Ao escrever essas linhas, lembro de um filme, baseado em fatos reais, de 2007: “Escritores da Liberdade”. Todo professor deveria ver esse filme! Conta uma história que se passou num colégio dos EUA, onde os alunos eram discriminados por sua classe, sua cor, e divididos em salas de “burros” e “inteligentes”. Então chega uma professora que, junto com os alunos da sua turma, muda a realidade, depois de muitas lutas.

2. COMO DEVE SER

Segundo a maioria dos teóricos da avaliação, tanto internacionais - como Phillippe Perrenoud, Howard Gardner e Emília Ferreiro - quanto nacionais - como Jussara Hoffmann, Cipriano Carlos Luckesi e Dermeval Saviani - a avaliação da aprendizagem não é uma atividade isolada na prática pedagógica, um mecanismo neutro ou uma questão puramente técnica, desprovida de intencionalidade. No entanto, testar e medir ainda estão sendo usados como sinônimo de avaliação. Consideramos que equívocos deste tipo acabam por criar uma “cortina de fumaça”, ou seja, um mito em relação à prática avaliativa. A avaliação não pode adquirir uma conotação ampla e difusa. Segundo o professor Cipriano Carlos Luckesi, a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem, que auxilia o professor a tomar decisões sobre o seu trabalho.

A avaliação é uma questão epistemológica, mas é também política, por se constituir em um momento privilegiado no qual o poder se manifesta para aprovar ou reprovar, elogiar ou punir o aluno. Claro que isto vai depender de cada professor.

Entendemos que para se compreender a avaliação no interior da escola/universidade, é preciso analisar a relação escola/sociedade. Nesse sentido, são múltiplas, variadas e importantes as contribuições de autores, já citados, que abordaram e ainda abordam essa relação, e que tecem considerações referentes às funções da escola, contribuindo para uma melhor compreensão do ato de avaliar. Nós professores precisamos entender a avaliação como um ato pedagógico, assumindo funções que podem favorecer o desempenho do aluno e o nosso desempenho profissional. Para isso, se faz necessário que a avaliação deixe de ser classificatória e punitiva, e passe a ser diagnóstica, processual e contínua. Segundo Dermeval Saviani "o professor, nesta abordagem, se caracteriza pela garantia de que o conhecimento seja conseguido, independente do interesse e vontade do aluno". Logo,  a avaliação é realizada visando à exatidão do conteúdo comunicado em sala de aula, e o aluno é medido pela quantidade de informações que consegue reproduzir através de vários instrumentos, dentre eles testes e provas.

Na abordagem humanista, a avaliação enfatiza o papel do aluno, como principal colaborador do conhecimento humano. Sendo assim, o ensino é centrado no aluno. O professor faz o papel de facilitador da aprendizagem. Já
na abordagem cognitivista, a avaliação tem como fundamentação teórica a abordagem piagetiana, para a qual o conhecimento é considerado uma construção contínua, onde a mudança de comportamento pode configurar a construção de uma nova aprendizagem. A aprendizagem verdadeira só se dá no exercício operacional da inteligência, só se realiza quando o aluno elabora o seu conhecimento.

3. À GUISA DE CONCLUSÃO

Muitos professores por esse Brasil afora precisam repensar suas práticas avaliativas, afinal, o sentido da educação é ensinar a viver melhor, e não priorizar calendário escolar e prazos burocráticos. Nesses anos todos de magistério, aprendemos que a severidade inicial precisa aos poucos ser abrandada e substituída pela doçura do afeto aos alunos. Aprendemos que não precisamos julgá-los, pois a vida, esse ‘bicho-papão’ da cantiga de ninar, não vai esquecer de fazê-lo e que, afinal, só a vida encontra o caminho da própria vida. É preciso que o professor leve em conta que, na formação das pessoas, a humanidade e os valores é o que dão sentido à existência. Nós professores somos verdadeiros heróis, porque dedicamos várias noites da semana a formar com desinteresse os jovens que poderão um dia melhorar nossa lamentável vida pública. E o caminho para essa mudança reside em aprender a melhor viver, a buscar não carreira ou êxito, mas a plenitude da vida, que ajude cada pessoa a realizar sua eminente dignidade. Nesse Brasil em que a corrupção já é uma instituição, precisamos dar lições de vida para aqueles que buscam não só a pureza da doutrina, mas a coerência da prática sem manchas.

Com relação às características da avaliação escolar, citamos a seguir aquelas que consideramos as principais: 1 - Reflete a unidade objetivos-conteúdos-métodos; 2 – Possiblita a revisão do plano de ensino; 3 – Ajuda a desenvolver capacidades e habilidades; 4 – Volta-se para a atividade dos alunos; 5 – é objetiva; 6 – Ajuda na autopercepção do professor; 7 – Reflete valores e expectativas do professor com relação aos alunos. 

E para encerrar, uma lição do Prêmio Nobel da Paz de 2006, o professor de Economia Muhammad Yunnus, em A lógica do crescimento sem controle: Aprender a imaginar em que mundo vamos viver é um tema inexistente em nossas escolas. Preparamos nossos estudantes para uma disciplina ou carreira, mas não os educamos para pensar que tipo de mundo eles desejam construir. Toda escola e universidade deveria criar um curso centrado nesta proposta: pedir a cada aluno que prepare uma lista de seus 'desejos para o mundo' e explique para a classe os motivos de suas escolhas. Outros alunos poderão sustentar suas ideias, propor alternativas melhores ou contestá-las. Então, todos poderão discutir maneiras de criar o mundo que imaginam, o que concretamente é possível fazer, os obstáculos a superar de modo a criar as parcerias, organizações, conceitos, esquemas e planos de ação necessários para promover seus objetivos. Este curso poderá ser muito interessante.”

REFERÊNCIAS
LIBÂNEO, J.C. A avaliação escolar. In Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
NÉRICI, I.G. Avaliação da Aprendizagem. In Introdução à Didática Geral. São Paulo: Ed. Atlas, 1985.

(Márcio Melo, professor de História, Sociologia e Filosofia no Ensino Médio da rede pública da Bahia há onze anos; professor de História do Brasil na FACESB há dois e estudante de Direito há três. ainda tentando aprender o que é avaliação...)

IV Colóquio Internacional de Saberes, Práticas - I Conferência Internacional de Africanidades - I Seminário Internacional de Multirreferencialidade e Etnicidade

 
Tecnologias e Processos de Difusão de Conhecimento
De 25 a 29 de outubro - Local: UFBA - UNEB - IFBA

 
Vimos convidá-lo a participar no tríptico de eventos: IV Colóquio Internacional Saberes, Práticas, I Conferência Internacional de Africanidade e I Simpósio Internacional de Multirreferencialidade e Etnicidade que se realizará na Cidade do Salvador, Bahia, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2010.
Em oportunidades anteriores (dezembro de 2002, outubro de 2005 e de 2009) se realizaram os três primeiros Colóquios Internacionais Saberes, Práticas que abordaram as temáticas: construção de saberes e de práticas de (in)formação profissional na sociedade do conhecimento no I Colóquio; difusão do conhecimento científico e tecnológico na sociedade da aprendizagem no II Colóquio e tecnologias e processos de difusão do conhecimento no III Colóquio. Neste novo encontro consideramos pertinente dedicar espaços específicos à gestão do conhecimento em relação com tecnologias e processos de difusão, à africanidade e à relação entre a perspectiva multirreferencial e a etnicidade. Este triplo evento permitirá o intercâmbio entre especialistas de diferentes continentes e a difusão da informação atual desenvolvida nos diferentes campos de conhecimentos, saberes e práticas.
Comitê Organizador
 
Objetivos:
  • Reunir pesquisadores nacionais e internacionais que trabalham com questões relacionadas à (in)formação profissional no cenário da sociedade do conhecimento, diante dos grandes avanços das tecnologias de informação e comunicação, mediante o intercâmbio de estudos e pesquisas realizados sobre o tema, visando à construção de processos de difusão do conhecimento.
  • Compreender os desenvolvimentos desses processos em relação aos cenários produtivos de desenvolvimento tecnológico e os diversos contextos sócio-culturais.
Convidamos todos os interessados a apresentar seus trabalhos de pesquisa e a debater conosco os temas geradores e os eixos temáticos que constituem o tri-evento.
Comitê Organizador

Eixos Temáticos
  • História e cultura africana e afro-brasileira;
  • Educação para as relações étnico-raciais;
  • Difusão social do conhecimento africano;
  • (in)formação, multirreferencialidade e aprendizagem solidária;
  • Gestão pública e (in)formação cidadã;
  • Gestão social do conhecimento;
  • Estratégias de colaboração solidária;
  • Conhecimento e corpo; etnia e raça;
  • Saberes e sabores;
  • Redes de colaboração solidária e etnicidade;
  • Tecnologias e processos em difusão social do conhecimento;
  • Canais preferenciais e grupos sociais específicos na difusão do conhecimento;
  • Disseminação e difusão de saberes em cadeias produtivas e redes sociais de colaboração solidária.
Estes temas serão trabalhados em atividades como: conferências, mesas-redondas, oficinas, apresentações orais ou painéis em grupos de trabalhos e outras atividades culturais.

Comitê Organizador


Idiomas de trabalho


Serão aceitos no IV CISP propostas de trabalhos nos idiomas Português, Espanhol e Inglês.
Datas Importantes

Com apresentação de Trabalho
Limite para submissão de trabalhos (resumo) * 08/10/2010
Limite para inscrição e pagamento** 08/10/2010
Previsão de divulgação dos resultados da avaliação dos trabalhos 15/10/2010
Limite para envio dos trabalhos completos aprovados 25/10/2010
Sem apresentação de Trabalho
Limite para inscrição e pagamento ** 20/10/2010
·         Para submissão de trabalhos, é necessário que pelo menos um dos autores esteja inscrito.
** Vide tabela de valores no item Inscrições
 
Evento:
 
 
IV Colóquio Internacional de Saberes, Práticas; I Conferência Internacional de Africanidades; I Seminário Internacional de Multirreferencialidade e Etnicidade
 
Quando: De 25 a 29 de outubro de 2010
 
Onde: UFBA, UNEB, IFBA
 
 
CEAO - Centro de Estudos Afro-Orientais

Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho - CEP 40025-010. Salvador - Bahia - Brasil
Tel (0xx71) 3322-6742 / Fax (0xx71) 3322-8070 - E-mail: ceao@ufba.br
- Site: www.ceao.ufba.br

Lançamento do livro: A Casa dos olhos do Tempo

No próximo dia 19, das 19 às 22 horas, no Museu Carlos Costa Pinto, será lançado o livro A Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan. Com a coordenação editorial do fotógrafo Aristides Alves, a obra resgata a história da nação Angolão Paketan, a partir do terreiro de Mutá Lambô ye Kaiongo, localizado em Cajazeiras XI e liderado pelo tata de inquice Mutá Imê.
 Além disso, o livro traz um texto do doutor em antropologia Renato da Silveira sobre a história da constituição do candomblé de nação angola no Brasil. Já a jornalista e mestre em Estudos Étnicos e Africanos, Cleidiana Ramos, escreveu sobre a história da família de santo do terreiro de Mutá Lambô ye Kaiongo.
 A obra traz também informações sobre as comidas sagradas; o uso das plantas, com análise dos biólogos Aion Sereno Alves e Ana Paula de Sales S. Alencar; ilustrações dos inquices (as divindades do culto angola) feitas por Marco Aurélio Damasceno, além de um CD com os cantos sagrados da nação que teve direção musical de Tuzé de Abreu.
 As fotografias que ilustram o livro são de autoria de Aristides Alves e serão exibidas em uma exposição que será realizada de 20 de outubro a 20 de novembro no Museu Carlos Costa Pinto.
 Também no museu acontecerá um seminário no dia 21 de outubro às 19h30 intitulado A Nação Angola na Bahia, com a participação do tata de inquice Mutá Imê, Renato da Silveira, Cleidiana Ramos, Jaqueline Freitas, da Fundação Palmares e Paula Barreto, coordenadora do Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao) e do Instituto Nzinga.
 A Casa dos Olhos do Tempo que Fala da Nação Angolão Paquetan foi realizado com apoio do Ministério da Cultura, via a Fundação Cultural Palmares. Os exemplares  serão distribuidos  gratuitamente para instituições que realizam pesquisas sobre a cultura e a religião afro-brasileira.

Palestrantes:
Mutá Imê- Tata de Inquice do Terreiro de Mutalambô ye Kaiongo
Renato da Silveira- Doutor em Antropologia e professor da Ufba
Cleidiana Ramos- Jornalista e mestre em Estudos Étnicos e Africanos
Jaqueline Freitas- Jornalista, pós graduada em História e em Educação e representante da Fundação Palmares
Paula Barreto-Diretora do CEAO-UFBA e do Instituto Nzinga

Serviço:
 O quê: Lançamento do Livro A Casa dos Olhos do Tempo que fala da Nação Angolão Paquetan
Quando: 19 de outubro das 19 às 22 horas
Local: Museu Carlos Pinto, Av. 7 de setembro 2490- Vitória.
Telefone: 3336-6081
Apresentação dos Cantos Sagrados da Nação Angolão Paquetan e da Orquestra de Berimbau do Grupo Nzinga
O quê? Exposição: O Terreiro de Mutalambô ye Kaiongo
Quando: De 20 de outubro a 20 de novembro, de segunda a sábado (exceto terça-feira, domingos e feriados). Das 14h30 às 18 horas
 O quê: Seminário A Nação Angola na Bahia
Quando: 21 de outubro às 19h30
Local: Auditório do Museu Carlos Costa Pinto.
 
Mais informações:
Aristides Alves: (71) 8868-3596  3247-3596
Tata de Inquice Mutá Imê- (71) 8748-6136
Janja: 9609-0106

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Artistas baianos participam de eventos na China e Dinamarca



Artistas da música baiana representam o estado em grandes eventos culturais no exterior através do Bahia Music Export, programa da Secretaria de Cultura do Estado de promoção e intercâmbio internacional. Estado participa da Expo Xangai, com comitiva integrada pelo Ilê Aiyê e BaianaSystem, e da WOMEX, na Dinamarca, com o  Samba Chula de São Braz. Eventos são considerados os mais importantes do setor cultural no mundo.

Investir na promoção internacional da música baiana é o objetivo do Bahia Music Export, programa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) para divulgar e exportar o patrimônio e a produção contemporânea de artistas e grupos musicais da Bahia. A iniciativa se concretiza para organizar estrategicamente ações que já vêm sendo realizadas desde 2007 pelo Governo do Estado.

“Nossa política de internacionalização da Cultura baiana tem dado bastante resultado. Passando pelo nosso Programa de Mobilidade Artistica com editais que tem permitido viagens e residências artísticas no exterior, temos mostrado a cara de uma Bahia contemporânea, pouco conhecida”, explica o secretário de Cultura, Márcio Meirelles. “Com o Bahia Music Export, queremos divulgar a diversidade de nossa cultura musical, indo do Ilê Aiyê que é uma das vitrines do Carnaval Ouro Negro, até a BaianaSystem, que tem feito uma releitura da guitarra baiana. É um grande momento para nossa Cultura”, comemora o secretário.

Numa ação do Governo do Estado, a Bahia estará presente na maior feira das nações da história: a Expo Xangai 2010, que reúne 190 países e 50 organismos internacionais, com expectativa de receber um total de 70 milhões de visitantes durante os seus seis meses de realização (maio a outubro). O evento, de caráter essencialmente cultural e popular, visa promover o desenvolvimento e a cooperação internacional por meio de intercâmbio cultural, econômico e tecnológico. Com o tema “Cidade melhor, vida melhor”, a Expo Xangai será a primeira focada na questão urbana.

“A potência multicultural de Salvador estará representada por suas manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, pelo fazer artístico e pela criatividade de sua gente, tanto a partir da herança africana quanto de sua criação contemporânea, que permeiam as relações sociais e produtivas e delineiam a vida cotidiana da maior cidade negra fora da África”, explica Monique Badaró, assessora Chefe de Relações Internacionais da Secretaria de Cultura.
A Secretaria de Cultura do Estado se fará presente no evento entre os dias 18 e 22 de outubro, para apresentar mundialmente a diversidade e a dinâmica da principal cidade da Bahia: a capital Salvador. Durante esse período o Governo do Estado promove o seminário de “Oportunidades de Investimentos na Bahia”. Sua potência multicultural estará representada por suas manifestações artísticas desenvolvidas no espaço público, pelo fazer artístico e pela criatividade de sua gente, tanto a partir da herança africana quanto de sua criação contemporânea, que permeiam as relações sociais e produtivas e delineiam a vida cotidiana da maior cidade negra fora da África.

Assim, o nosso típico carrinho de café estará circulando em frente ao Pavilhão do Brasil e pelas ruas da Expo Xangai, tocando a música da Bahia. Os carrinhos de café, expressões criativas do espaço urbano da cidade de Salvador, funcionam como lojas ambulantes e ocupam diariamente as ruas da capital. Além de cafezinho, os vendedores oferecem produtos como balas, pipocas, salgadinhos e cigarro. Criados para facilitar a locomoção com as mercadorias, esses carrinhos artesanais ganham som, cores e os mais variados acessórios, segundo a estética e a identidade do seu proprietário, transformando-se em verdadeiros players nômades, comandados por DJs das ruas que reproduzem música popular de diversos gêneros. Os carrinhos de café são a síntese de uma Bahia contemporânea, diálogo das matrizes culturais com as possibilidades das novas tecnologias.

A música baiana estará também em shows de grande porte, abertos ao público no American Stage. O primeiro representa o nosso Carnaval Ouro Negro, Programa da SecultBA que fomenta e fortalece a presença da expressão cultural de matriz africana no carnaval de Salvador: Para representar este valioso universo, o Ilê Aiyê irá se apresentar, mostrando a razão de ser conhecido como a “Pérola Negra” da cultura baiana. Mais antigo bloco da cidade de Salvador, criado em 1974 no bairro Curuzu/Liberdade, maior comunidade afrodescendente do Brasil, o Ilê Aiyê tem como missão preservar, valorizar e promover a cultura afrobrasileira. O seu movimento ritmico-musical foi responsável por uma revolução no carnaval baiano, concedendo à musicalidade a força dos ritmos oriundos da tradição africana, favorecendo o reconhecimento de uma identidade peculiar baiana, marcadamente negra. O Ilê Aiyê também participará de uma festa para 300 convidados no Pavilhão Brasileiro, com a participação de representantes de outros países, promovendo intercâmbio cultural e interação.

Das tradições à contemporaneidade, outro grupo baiano que fará shows é o BaianaSystem, uma banda jovem, porém já consagrada pela proposta de divulgar e explorar novas possibilidades sonoras da Guitarra Baiana. Este instrumento singular e típico da música carnavalesca foi criado na Bahia em meados dos anos 1940, sendo responsável pelo surgimento do Trio Elétrico (grande sistema de som andante) e por uma linguagem instrumental de guitarra para interpretação de frevos, choros e outros estilos musicais. O BaianaSystem insere a Guitarra Baiana em diversos outros gêneros musicais, como o ragga, dub, guitarrada e lambada, trazendo o peculiar timbre desse instrumento às sonoridades contemporâneas, numa leitura atual de uma sólida tradição. Além das apresentações, o BaianaSystem fará também um workshop.

Para encerramento da temporada, os DJs Dudu, MC Daganja e Sartorello farão performances no US Stage, apresentando todo o universo da musicalidade da Bahia, utilizando as bases dos blocos afro, as batidas soul, funk, ragga, bossa nova, samba reggae, a black music eletrônica, o axé baiano e finalmente a música baiana dançante.

Toda esta bela programação terá cobertura e transmissão ao vivo pela Rádio Educadora da Bahia, emissora do Governo do Estado administrada pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), unidade da SecultBA. A transmissão será feita via linha telefônica (CODEC) e/ou internet banda larga, podendo retransmitir por satélite o conteúdo gerado para um número expressivo de rádios conectadas em todo o território nacional, através da criação de uma rede com a Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB). A produção de boletins diários, a cobertura jornalística da Expo Xangai e entrevistas com os mais diversos artistas e personalidades alimentarão toda uma rede de comunicação na Bahia.

Samba Chula de São Braz no Womex 2010

O grupo Samba Chula de São Braz, de Santo Amaro, município do Recôncavo Baiano, foi selecionado para participar da programação oficial do WOMEX – World Music Expo 2010, em Copenhagen (Dinamarca). A WOMEX é a feira internacional de Worldmusic mais importante do planeta e reúne anualmente os principais profissionais do setor musical, numa programação que inclui concertos, conferências e documentários. O evento, que neste ano se realiza de 27 a 31 de outubro, contribui para a indústria do entretenimento como um meio eficaz de promoção e intercâmbio da música e da cultura de diversos países.

Nas últimas duas edições do WOMEX (2008/2009), a Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), esteve presente no evento, representada pela sua diretoria de Música. Nestas ocasiões, e numa ação continuada que se estende num conjunto de frentes de investimento, a diversidade musical da Bahia e a sua nova política para a cultura foram internacionalmente promovidas, abrindo uma importante janela para a visibilidade de artistas baianos que não costumam ter acesso à mídia mundial e informando ao mercado sobre as possibilidades de realização. Esta iniciativa do Estado, que incluiu a divulgação da riqueza do samba de roda de Santo Amaro, foi fundamental para chamar a atenção de diversas editoras e empresários, garantindo a seleção do Samba Chula de São Braz entre as 37 principais atrações desta edição 2010, dentre mais de 700 candidatos de todo o mundo.

A viagem do grupo, que representará o Brasil ao lado de DJs Criolina (Brasília) e Karina Buhr (baiana radicada em São Paulo), está sendo apoiada pelo edital de Intercâmbio, da SecultBA, que reconhece a importância de estimular a participação de grupos baianos em eventos nacionais e internacionais de grande relevância. “A ida do Samba de Chula de São Braz para o WOMEX dá continuidade ao trabalho de divulgação do atual panorama da música baiana também no mercado internacional e representa a valorização das tradições musicais do estado, a partir de suas origens africanas, como uma das mais ricas expressões da música contemporânea mundial”, afirma Gisele Nussbaumer, diretora da FUNCEB.

Gilberto Monte, diretor de Música da FUNCEB, analisa: “A WOMEX é a maior feira de Worldmusic do mundo, os principais empresários e formadores de opinião do segmento participam do encontro. Tocar na programação principal do evento é uma das mais importantes mídias e possibilidades de fechar negócios no mercado internacional”.

“É difícil um grupo da cultura popular, que faz um trabalho de raízes populares, conseguir desenvolver seu trabalho sem fugir de suas características e permanecer com a qualidade musical. Esse é um ponto bastante debatido na área da cultura popular: o medo de as produções se modificarem, se transformarem e perderem a originalidade, e é nisso que o Samba Chula de São Braz não errou. Eles são uma rara combinação de qualidade musical, profissionalismo e referência da localidade em que vivem”, destaca Katharina Döring, pesquisadora do Núcleo das Tradições Orais e Patrimônio Imaterial da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Outro desdobramento importante da articulação realizada no WOMEX foi a vinda da rádio estatal BBC Radio 3 de Londres para a Bahia, em abril, para gravação de edições do programa “Rotas do Mundo” (World Routes), que enfoca a música tradicional com influência regional, e de um capítulo para a série “Planeta Humano” (Human Planet), que teve como tema a relação entre a música, o mar e a religião afro-brasileira do Candomblé. Além de gravações com artistas e especialistas na capital, a equipe da rádio seguiu para o interior do estado, em busca das tradições musicais e culturais da região do Recôncavo, incluindo um encontro com o Samba Chula de São Braz.


Conheça a página da Expo Xangai:

Conheça a página do Womex:

Conheça o Samba Chula de São Braz:

Conheça o Ilê Aiyê:

Conheça o BaianaSystem:

Conheça o site do Bahia Music Export (no ar a partir de sexta – 15/10):

Começa hoje o VI Festival de Teatro de Euclides da Cunha


Hoje, às 16, começa o tão esperado VI Festival de Teatro de Euclides da Cunha. Até domingo, cerca de 14 peças teatrais estarão no circuito da Mostra Competitiva e do Espetáculo Convidado. O VI Festival comemora o 10º aniversário da Cia Teatral Farinha Seca, que organiza o evento e, no sábado, 16, às 21h, volta aos palcos euclidenses com a premiada peça Senhora dos Afogados (III Ato), de Nelson Rodrigues.

A maior parte dos espetáculos acontecerá onde, há 10 anos, a Farinha Seca gestava seus primeiros trabalhos: no auditório do Educandário Oliveira Brito, que recebeu cuidados especiais para comportar um evento desse porte. Desde segunda-feira, 11, uma equipe de Técnicos e Produtores de Espaço começaram a transformar o lugar onde, mais uma vez, será residência para a criatividade e o requinte.

Trata-se de um acontecimento ímpar onde poderão ser apreciadas diferentes linguagens. “O VI Festival priorizou a diversidade. Imaginamos que a plateia é feita de pessoas que, claro, tem gostos distintos. Cada grupo tem um comportamento, uma ideia, um motor que trabalha à sua maneira, e não poderia ser diferente num festival que agrega tantos artistas. E isso também conta para as Oficinas de Teatro: são ministrantes que cuidam de um repertório múltiplo. A comunidade pode escolher a sua e participar segundo o seu interesse e predileção. Vale a pena ver!”, comenta o Diretor Geral do VI Festival e da Cia Teatral Farinha Seca, Alfredo Junior.

Além das peças, o público poderá participar do festejo Teatro Nigth – Um Culto a Baco, no Pit Stop Bar, sábado, às 23h. Para quem for participar, é necessário que esteja com trajes brancos. A entrada custa R$ 5, para os que não estão inscritos no VI Festival.

As apresentações são gratuitas, mas, para maior conforto e organização, a Produção do evento cuidará de distribuir senhas de acesso 30 minutos antes de casa apresentação, porque o auditório do Educandário Oliveira Brito dispõe de 180 poltronas, incluindo reservas para Patrocinadores, Apoiadores, Colaboradores e Comissão Julgadora.

 
 
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Maria Karina
Representante Territorial de Cultura - Semiárido
Secretaria de Cultura do Estado da Bahia - Superintendência de Cultura
(75) 9193-2103 / (75) 9822-1735