Ana Paula Sousa - Em pesquisa feita em São Paulo , 15% citam futebol e outros esportes como a maior referência cultural do país
Principal atividade cultural é ouvir música; ir ao shopping aparece em terceiro lugar no ranking de hábitos
Teatro? Dança? Cinema? Nada disso. Para os paulistas, o que mais bem representa a cultura brasileira é o esporte, segundo pesquisa realizada no Estado de SP.
O resultado aponta que, embora tenha começado a ser percebida como um "direito", a cultura ainda desperta sentimentos difusos.
Quando questionados sobre o que mais bem representaria a cultura brasileira, 15% dos entrevistados citaram algum esporte. Isoladamente, a música vem em primeiro lugar (13% das respostas), o Carnaval em segundo (12%) e o futebol em terceiro (10%).
Os números, vistos a seco, indicam que o estereótipo estrangeiro apenas replica a autoimagem nacional.
"Resolvemos fazer a pergunta de maneira aberta, então tínhamos mesmo muita dúvida sobre o que daria", diz João Leiva, idealizador do projeto. Deu no que deu.
"Muita gente relaciona cultura a tradição e hábitos. Mas as respostas são mais embaralhadas quando a pergunta é sobre o que caracteriza o Estado", afirma Leiva.
São Paulo, a julgar pelos dados, não tem uma feição cultural. Dentre os entrevistados, 36% não sabem o que caracterizaria a cultura local.
Bola Dividida
A predominância do esporte como referência é seara que divide os especialistas. Cultura, na dimensão antropológica, é tudo o que o homem produz -material ou simbolicamente.
"A economia da cultura entende como bem cultural todo bem ou serviço que manifesta ou caracteriza a identidade nacional", diz Marcos Fernandes, da Escola de Economia da FGV. "O futebol tem essa dimensão. A resposta é também uma reação à ideia de cultura como algo pertencente à elite."
Do outro lado da mesa, Teixeira Coelho, professor da USP e curador do Masp, considera tal leitura vaga e arriscada. "Os exemplos de selvageria são tantos no futebol que não se pode, com tranquilidade, definir isso como cultura, quando se quer pensar em políticas culturais."
A própria população parece negar sua percepção quando confrontada com seus desejos para a política pública. Mais de 80% dos paulistas gostariam que suas cidades tivessem mais espaços para atividades culturais.
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